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Despertar Cedo

Este blog mostra-te as melhores dicas sobre o dia-a-dia social e financeiro. Tudo para que nunca chegues atrasado!

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27.Jan.19

O fim das propinas: uma maldição disfarçada?

Nos últimos meses, muito se tem falado sobre a abolição das propinas na universidade. Este é apresentado como um dos grandes projectos-lei do BE e uma liberalização do ensino superior. Mas será que uma educação universitária fica ao alcance de todos eliminando as propinas?

 

A resposta é um contundente não. Ora vejamos: as propinas rondam os 1000€/ ano na maioria dos cursos em universidades públicas. Todas permitem pagamentos em prestações - geralmente 250€ de cada vez. Apesar de não ser uma quantia baixa, a maioria das famílias consegue comportar estas quatro prestações. As que não conseguem podem requerer a acção social escolar, que em teoria cobre sempre as despesas com propinas.

 

Qual é o problema aqui? O problema é a maioria das despesas que os estudantes têm não são as propinas. São as despesas com habitação (e essas são cada vez mais altas no Porto e em Lisboa), com gastos de internet, luz, refeições fora de casa, transportes para visitar a família, fotocópias, livros obrigatórios e por aí fora. Eu estudei fora de casa - e sei que os meus pais apertavam o cinto para pagar a renda do quarto.

 

Muitos dizem que a solução está em ter universidades mais próximas das populações, para que haja menos estudantes deslocados. Mas isso mascara outro problema: os alunos do interior com menos possibilidades ficam excluídos das melhores universidades do país, que são no Porto e em Lisboa? E se as minhas filhas tiverem interesse num determinado curso que não há na universidade mais próxima? E se outra universidade tiver um programa melhor? Ou, pior: e se não tiverem média para entrar?

 

Acabar com as propinas pode ser uma boa estratégia política, mas não acaba com os problemas que afectam os estudantes universitários. Mais: só serve para deixar as universidades, já de si com um orçamento reduzido, com ainda menos dinheiro. Tornar as universidades dependentes do governo põe a isenção do Ensino Superior em causa - no limite, deixam de ser independentes e começam a ser totalmente controladas pelo Ministério.

 

Por isso, deixemo-nos de manobras simbólicas e falemos do que interessa - mais habitação escolar e mais bolsas para os alunos que realmente as merecem! Apliquem o dinheiro ganho com as propinas em quem o merece!

 

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